eu queria que este texto,
este empilhado de frases esforçadas,
este punhado de palavras catadas de mim,
e por mim digitadas silenciosamente,
não fosse apenas mais um texto.
Que fosse um suspiro, um sussurro,
e que neste momento, neste exato momento,
o vento o carregasse ao pé do teu ouvido,
e que em ti, aí em ti,
(que dorme sem nem suspeitar)
que aqui, bem aqui,
eu, no escuro de um quarto meio bagunçado, meio confortável,
empilho frases esforçadas pensando no teu nome,
e cato meia dúzia de palavras no mais intimo de mim,
querendo estar aí,
ou pelo menos,
que meu desejo simples pra este texto leve,
que meu anseio a estas frases com amor,
seja em ti um sonho trazido pela brisa delicada da madrugada,
mesmo que o vento destrambelhado tenha perdido palavras enroladas na cortina.
leve texto leve
leve
do adjetivo,
da simplicidade lírica,
de letra-a-letra disfarçar,
por de trás de tantas outras,
a palavra amor,
a sutileza da palavra sem peso,
como se fosse palavra nenhuma,
como se fosse apenas um arrepio em tua pele.
leve
do verbo, do vento, do sonho,
leva que é teu, tu é a dona,
leva quem leu porque agora é seu,
levo eu, dono de nada,
nem da dona,
nem do vento,
e nem de palavra alguma, destas que colhi antes de dormir...
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
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