domingo, 4 de julho de 2010

sem dedicatórias

o fim da tarde

o fim da vida

a noite nascendo iluminada pela lua tímida

acabando com o sonho azul da tarde

e levando minha ambição de parar no tempo

de morar em um tempo só



[a minha lâmina cortando esquinas]



a tarde em seu alaranjado bonito, terminal

morrendo em um risco deitado chamado horizonte

a noite em sua inquietação nostálgica, de possibilidades

nascendo do alaranjado artificial das lâmpadas

nas pontas dos postes



[a minha cena é um filme triste]



em Porto Alegre o sol morre em um rio

e nasce por trás dos prédios imponentes das ruas do centro

em Porto Alegre eu morro em ti

nos poemas urbanos grafites paredes

em uma declaração de amor

em um quarto perdido por corredores estranhos

eu morro dentro de ti

mas sempre renasço com o dobro da minha força

como o amanhã...

11 outros passos, outros rumos!:

Lily disse...

Palavras bem escolhidas, cuidadas, juntadas, construídas... tão leve, tão bom, eu posso me terminar nessa tarde...

Dois alaranjados, um real outro artificial. Os dois com o mesmo peso!

Lindo, dúbio!

Franck disse...

Meu fim de tarde dessa terça será vendo o sol se pôr num infinito de mar, tomando uma água de coco, pq o céu brilhou na Ilha... e msm assim, é uma cena de um filme triste!
Passando por aqui e gostei de tudo! Sigo vc!
Abçs!

Lua Nova disse...

"...eu morro dentro de ti

mas sempre renasço com o dobro da minha força

como o amanhã..."

Se equilibrando nos contrastes da vida, nos contrapontos dos caminhos, nos extremos dos sentimentos.
Gosto do teu modo de se expressar.
Vá conhecer meu espaço e tomar um chocolate quente comigo.
Beijos.

Por que você faz poema? disse...

Sem dedicatórias,
sem epigrafes,
apenas uma lâmina cortando esquinas de um filme triste.

Lih Neta disse...

Coisa mais liiiiiiiiinda!
Tirei uma foto esses dias e acho que ela se encaixaria muito bem com esse poema. Te mando em breve.
Beijão,meu amigo.

suellen nara disse...

como já dizia o poeta:

"morrer não dói"

dói é amanhecer, entardecer, anoitecer

sem você.

Lily disse...

Este meu comentário não é para você, Rafa Feck, é para a SUELLEN NARA:

Moça, nem assim ele escreve.

suellen nara disse...

pois é Lily...
o moço é teimoso.

pq palavras apenas não bastam
né Rafael?

Rafa Feck disse...

hehehe!!!

adorei a interação...

Os textos estão voltando aos poucos, mas cadê tempo? Para postar, para visitar com a atenção que merecem os blogs que sigo, encaminhar alguns comentários para novos textos que li e adorei ou também comentar a falta de textos (né dona Suellen Nara?), cadê tempo?

agradeço os comentários, mesmo vocês já sendo de casa!

abraços

Lily disse...

Óh, apareceu a margarida!

SUELLEN,
Ele faz tipo.

O que sabes tu do tempo, Rafa Feck?

Bom, pelo menos apareceu... está vivo!

O VOO

"Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento, desabam no abismo.

Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas.

Conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta.

Canta!
Canta para conservar uma ilusão de festa e de vitória.

Talvez as canções adormeçam as feras que esperam devorar o pássaro.

Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo.
Rumo ao céu?

Que importa a rota.
Voa e canta, enquanto resistirem as asas."

(Menotti Del Picchia)

Anônimo disse...

'nos poemas urbanos grafites paredes

em uma declaração de amor

em um quarto perdido por corredores estranhos

eu morro dentro de ti'



gosto muito deste trecho, suave morte...