quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O poema que tu não fez

e tudo em mim é cinza e nublado e meio sem riso
contraste com estas tuas cores de pôr do sol
meu texto desarrumado, torto
baseado nas tuas rimas precisas sobre textos que nem fez
(este é meu suspiro sobre o poema que tu não fez)
eu repetitivo, eco de mim mesmo
me lendo nas tuas frases hora suave hora furacão
e de todos caminhos possíveis
te encontrei na tua caneta (teclado inquieto)
textos-inspirações
no equilíbrio bambo
mas mais ainda nos teus olhos que também trazem um ar nostálgico
uma coisa destas que não se escreve
meio triste meio linda

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pena de mim

Um dia eu pedi um beijo pra Rita e ela disse que tinha pena de mim, eu disse não tenha pena de mim Rita, tenha pena do mundo que ele é que anda meio perdido, meio sem era nem beira, eu nunca entendi bem esta história de sem eira nem beira, mas minha vó sempre dizia e também ouvi numa música que achei muito linda, mas a Rita tinha pena de mim e o mundo e a música que se danassem.
Eu disse pra Rita que me amasse, e o mundo a gente ajeitava, mostrava o caminho, eu sabia bem o caminho porque minha professora Eunice de geografia me ensinou estas coisas de norte e de sul, então eu quis dar um buque de rosas dos ventos pro mundo e de rosas vermelhas pra Rita, mas a Rita tinha pena de mim e o mundo e a geografia que se perdessem.

Meu pobre espírito natalino

Eu não sou um otimista, nunca fui. E ser realista sempre pareceu do ponto de vista das pessoas que me cercam um grande defeito, eu não sei, talvez seja, talvez não, as pessoas precisam de boas mentiras para se motivar a seguir, eu não as tenho, não consigo sorrisos que não os meus poucos sinceros, não jogo palavras quando me é o silêncio, de fato não sou um otimista, não me combina pensamentos utópicos, no máximo meu sorriso amarelado de canto de boca, mais do que sem graça.
Mas nestes dias, em que as casas e os corações se enchem de luz, e que instintos comerciais alegram as pessoas (pelo menos até que chegue a fatura do cartão de crédito), dias de ruas movimentadas, presentes, champanhe, eu visito alguns desejos que a rotina diária tratou de esconder em algum canto deste meu coração, sei lá se são sonhos, devaneios, leais anseios, que no natal se soltam como estes fogos de meia-noite da véspera, eu fico aqui, querendo um mundo melhor, querendo gritar pra que estes políticos filhos da puta honrem os salários altíssimos que ganham, querendo que a lei no Brasil finalmente seja cumprida, e que todo criminoso pague pelo que fez, eu fico aqui achando que não faço o tanto que posso, que toda esta merda também é culpa minha, que calado aceito, mas o mundo é dos otimistas, então tudo vai melhorar, mesmo que continuemos aqui, assim, inertes...
Mas isso deve ser o tal espírito natalino ou coisa assim, amanhã a frieza já terá tomado conta da minha rotina novamente, e as pessoas vão me cobrar mais risadinhas mesmo que falsas como a esperanças delas...
Eu carrego comigo estes desejos, mas vou seguir aqui, escrevendo sobre a minha eterna dor-de-cotovelo!

Feliz Natal, obrigado a todos que passam aqui, a todos que se importam de alguma forma, e também aos que não dão a mínima (porque entre o gostar e o não, só a analise em si já me basta).

Um abraço

Rafa Feck

sábado, 12 de dezembro de 2009

(sobre o eu pervertido)

Às vezes parece tudo coisa minha
tudo maluquice desta cabeça pensante com mania de textos,
mania de inventar histórias,
às vezes parece que é apenas uma de minhas fantasias,
estimulada por estes hormônios ferventes, neste já passado adolescente...

Ela lá perfeita, voz rouca, sotaque,
confessando suas taras ao telefone,
soltando risinhos,
tirando a blusa e descrevendo a cena.
e eu imaginando tanto mais,
mas a minha mão que procura ela,
sempre encontra a mim mesmo!

E se for só uma alucinação, insanidade minha,
deixa assim minha paixão imaginaria,
deixa que na minha cabeça frenética,
(turbilhão de palavras e vontades e desejos),
tu tens passe livre.
E se não for, se for real, ah! Deixa que eu te toque
que o toque é o que de verdadeiro falta,
e antes que tua boca encontre minha boca,
antes que teus olhos se fechem ou desviem dos meus,
deixa que eu te contorne com uma das mãos,
deixa que a outra segure teu pescoço de forma agradável e firme,
deixa que a mão mais inquieta encontre teu sexo,
e só aí, só assim, já com teus segredos físicos mais íntimos descobertos,
já com tua excitação evidenciada nos meus dedos úmidos,
nossos lábios enfim se encontrem
e língua, e corpo inteiro...
Ou talvez isso tudo seja um filme que eu vi, ou um delírio, talvez seja um sonho e se for... Por favor não me acorde...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SUELLEN NARA

Ah menina, acalma-te
porque nem tudo que restou é crítica
e se eu posso te dizer,
digo sou dúvida
digo sou isto

mesmo quando só existo em linhas
também me faço em migalhas
e se nada encanto ao escrever
há de existir meu silêncio

pois se do escrito, nada te serve
nada te instiga
belo será a ti o que eu nem digo
o que eu não ouso!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

sobre minhas novas leituras...

Se a mim cabe o papel de poeta nesta história que me pede,
que eu conto em tom de texto reto, com muitas vírgulas e poucas explicações,
a ti jogo o papel de mulher apaixonada, e como eu escritor defino: É por mim!
Mas em minha palavra incerta, vou me despindo, me escancarando,
primeiro te roubo um suspiro, um sorriso leve,
já logo, um sorriso largo, seguido de um calor que nasce na altura do colo e desce até o meio das coxas, tão lindas coxas...
E minhas mãos incessantes, teclam como se a tocassem, traduzindo cada idéia, cada sonho, cada fantasia em frases que nunca terão a cobiça que te tenho.
Eu nunca quis ser poeta, nunca fui, mas se tu for minha poesia, e eu não vejo nada em ti que não seja, então sou teu poeta, e tu é minha palavra, e meu beijo escrito, e o toque que não toca o corpo, não toca nada a não ser estas teclas, e sou um desejo de falar, e na ausência de fala, sou a escrita.
E tu menina, tu e estes teus olhos saudoso-perfeitos, este sorriso que eu não consigo traduzir em textos, tu sim é poema, poesia pura, algo tão maior que eu, que não me pertence, quem dera que fosse, mas nada em mim tem teu brilho...
Desisto do texto, nem aqui te domo, nem te tenho,
deixo pra ti a tentativa poética porque pra mim só resta a do personagem enamorado.
Vou tentando
quase que num rascunho
quase que num sopro
um texto que te faça sentido
já que nada do que eu sinto me faz
cito umas palavras que carrego comigo de um livro que nem sei bem quando li:
"Se for homem,époeta;se é mulher,está namorada”.
Malfazejo Almeida Garret, porque pra mim nada resta!